Campanha em Prol da Economia, Não Lave o Carro

Brasileiro ama carros. Paulistanos então, nem se fale. Estima-se que a frota de automóveis na cidade de São Paulo ultrapasse hoje a casa do 7 milhões – como se a cada dois ou três paulistanos tivesse um carro para tirar de sua garagem.

Isto não se deve apenas ao incentivo à compra. Não foi apenas a redução do IPI ou a chegada da classe C ao poder de compra, mas sim a falta de incentivo e melhora do transporte público coletivo que mais fez com que as pessoas passassem a ver no automóvel, não apenas o símbolo do status, mas também a qualidade no que se chama de ir e vir. E todos sabemos que é inegável tudo isto.

Acontece que, com problemas de tráfego caótico, taxas incentivadoras do consumo de carros, amor às quatro rodas – apareceu nos últimos tempos, um outro problema: o que fazer com nossos carrinhos que estão tão sujinhos em tempos de seca? A ideia de uma montadora de automóveis é, justamente, não lavar os carros e deixá-los com um ar de off road, de carro que adora o barro, as trilhas, os asfaltos. Se é assim, que então seja.

Entretanto, o que fazer com os que não perdem os hábitos velhos, ou velhos hábitos, de lavarem aos domingos seus módicos, ou preciosos bens? Como não se pode gastar água, por conta da seca, o jeito é recorrer a métodos novos e novos hábitos.

Alguns lava – rápidos, já há certo tempo, oferecem lavagens a seco. Trata-se de um tipo de lavagem com produto especial e que dispensa o uso de água. Sabe-se que numa lavagem de um automóvel de pequeno porte, a quantidade de água gasta pode chegar aos 300 litros. O que seria imperdoável em tempos como o nosso, visto que um ser humano necessita ao menos de 110 litros de água por dia, para higiene, bebida e alimentação. Os dados são da ONU.

Outra opção é buscar lava – rápidos que trabalhem com água de reuso – os postos, em sua maioria, já se adaptaram a esta forma de lavagem. Eles possuem canaletas que recuperam a água utilizada na lavagem e podem reaproveitá-la em diversos outros carros.

Obviamente que os donos de postos de lavagens de carros vivem a pior crise da década. Mas a pior crise do que deixar o carro sujo, é ficarmos sem a nossa preciosa água.